A ponte sobre o Rio Jari, localizada na divisa entre o Amapá e o Pará, na rodovia BR-156/AP, é um símbolo dos descasos no Amapá.
Iniciada em 2001 para ligar Laranjal do Jari a Monte Dourado por rodovia, a estrutura de cerca de 406 metros permanece sem uso pleno e, mesmo após mais de duas décadas, segue impactando a rotina da população e a integração terrestre do Amapá com o restante do Brasil.
Com 406 metros de extensão e mais de R$ 21 milhões investidos, a ponte do Rio Jari continua sem funcionamento pleno. Danos em pilares provocados por embarcações exigiram reparos e reforços estruturais, alongando prazos e encarecendo a obra. Em 2020, estimativas indicavam cerca de R$ 60 milhões para conclusão.
A ponte sobre o Rio Jari é fundamental para ligar o Amapá ao resto do país por via terrestre, diminuindo a necessidade de transporte fluvial através de balsas e tornando o trânsito de veículos mais constante e previsível. A ponte é considerada o primeiro elo rodoviário permanente ligando o Amapá à malha federal.
Atualmente, os moradores dependem de travessias fluviais precárias. Esta logística precária perpetua o chamado "custo Amapá", um fardo diário que infla os preços de alimentos e suprimentos para toda a população. A situação é agravada pelo fato de que a principal artéria interna, BR-156, ainda tem trechos não pavimentados.
No campo econômico, o atraso reduz o potencial da Rota de Integração 01, encarecendo fretes e aumentando prazos de entrega de mercadorias, incluindo alimentos perecíveis e medicamentos. Com a ponte em funcionamento, espera-se maior segurança, redução do tempo de viagem, melhor escoamento de produtos e integração mais eficiente entre Amapá, Pará e demais regiões brasileiras.
A obra faz parte de um plano maior, a "Rota de Integração 01 para o Amapá", que prevê R$ 28,6 bilhões em investimentos no estado. A conclusão da ponte é vista como a "espinha dorsal" para o desenvolvimento do Amapá, criando a primeira saída terrestre para o transporte de produtos como açaí e castanha-do-Brasil, reduzindo custos de frete e tornando a produção local mais competitiva.
Fontes: Revista Cenarium e Gov