Pela primeira vez na história do Amapá, jornalistas e comunicadores tiveram residências invadidas pela Polícia Federal, com apreensão de celulares e pertences. A ação marca o ápice de uma escalada de perseguição que começou com o governador Clécio Luís (União Brasil).
Segundo levantamento, Clécio move mais de 130 processos contra jornalistas e comunicadores que não se renderam aos mais de R$ 100 milhões gastos em comunicação institucional nos últimos três anos e cinco meses de gestão.
Desde que assumiu, Clécio processa profissionais que divulgam dados negativos sobre o estado ou fatos que desagradam o gestor estadual. O Amapá é, pelo quarto ano consecutivo, o mais violento do Brasil, e liderou o desemprego no 1º trimestre de 2026.
“Informações como essas incomodam o gestor estadual, que conta com a complacência de quase 90% dos veículos de imprensa que preferem a omissão e vender um Amapá que só existe na propaganda institucional”, aponta o jornalista Eduardo Neves, que teve a casa invadida pela PF.
Além dos veículos tradicionais, Clécio mantém “uma rede de influenciadores na internet que atacam opositores sem nenhum rigor”, como discursou o senador Lucas Barreto (PSD).
“É preciso fazer uma distinção muito importante: estamos diante de uma investigação, e investigação existe exatamente para apurar fatos, esclarecer circunstâncias e identificar eventuais responsabilidades. Investigação não significa condenação antecipada. Não sou contra investigar. Sou contra a seletividade, sou contra dois pesos e duas medidas”, declarou Lucas Barreto.
Sobre essa possível milícia digital ligada ao governo do Amapá, o publicitário Diego Santos, informou através das redes sociais que protocolou no ano passado, denúncia no Ministério Público do Amapá (MP/AP).
“No dia 24 de junho de 2025, protocolei denúncia formal junto ao Ministério Público Estadual, detalhando o modus operandi, a estrutura de financiamento e os envolvidos nessa rede de ataques coordenados. Tenho plena convicção de que o Ministério Público concluirá as investigações e que os verdadeiros responsáveis responderão perante a Justiça”, afirmou.