Paciente com fratura grave no joelho é transferida para Caiena por falta cirurgia no Amapá

Paciente com fratura grave no joelho é transferida para Caiena  por falta cirurgia no Amapá

Mais um caso escancara a crise da ortopedia e da alta complexidade no Amapá. A paciente Evanice Cruz Lazamé, com fratura grave no joelho esquerdo, ficou seis dias internada no Hospital Estadual de Santana esperando por uma cirurgia que nunca teve data marcada.

Segundo relato do filho e acompanhante responsável, único filho da paciente, encaminhado à nossa redação, todos os exames foram feitos e o pedido de transferência chegou a ser realizado, com leito disponibilizado no HCAL - Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima. Mas a cirurgia nunca foi confirmada.

"Chegou a ser disponibilizado um leito no HCAL. Porém, ninguém confirmou quando a cirurgia seria feita. Também solicitei uma avaliação médica antes da saída, mas fui informado de que o ortopedista responsável não estava presente, não havia previsão para seu comparecimento e a equipe não conseguia contatá-lo", relatou o filho.

Consciente, a paciente, em comum acordo com o filho, decidiu deixar o sistema de saúde amapaense e continuar o tratamento em Cayenne, na Guiana Francesa, onde possui residência e cobertura de saúde.

O filho afirma ter em mãos vídeos, exames, protocolos da Ouvidoria do Estado, registro do pedido de transferência e manifestação encaminhada ao Ministério Público do Amapá.

O mais grave, segundo ele, é que a intenção da denúncia não é apenas sobre a mãe: "Minha intenção não é tratar apenas da situação da minha mãe, mas denunciar uma realidade que afeta muitos pacientes que continuam esperando e não possuem outra alternativa".

O caso de Evanice se soma a dezenas de outros que chegam diariamente à imprensa: falta de ortopedista, falta de material de órtese e prótese, fila de espera para cirurgia eletiva e pacientes que precisam judicializar para conseguir operar.

A família pede espaço para relatar o caso e cobra resposta da Secretaria de Estado da Saúde (SESA) sobre quantos pacientes estão hoje na fila da ortopedia e qual o tempo médio de espera para uma fratura exposta ou grave como a de Evanice.

Nossa equipe deixa espaço aberto para a SESA e para o Hospital Estadual de Santana se manifestarem.

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