A jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, revelou um escândalo que abala a cúpula da segurança do Amapá: o Secretário de Segurança Pública do governo Clécio, Cézar Augusto Vieira, é investigado por uso irregular de veículo apreendido que estava sob guarda de pai de líder do Comando Vermelho.
Segundo a reportagem, a investigação foi autorizada pelo Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) por causa do foro privilegiado do secretário.
Uma caminhonete Chevrolet S10 apreendida pela Polícia Civil quando Cézar Vieira ainda era delegado na região dos lagos deveria estar à disposição da delegacia. Mas, segundo a apuração, estava sendo usada para fins particulares.
O caso veio à tona após um acidente de trânsito. Na abordagem, policiais constataram que a S10 circulava com placa adulterada. O condutor foi identificado como Francisco Gomes Vilhena.
Em depoimento à polícia, Vilhena afirmou que usava o veículo com autorização direta de Cézar Augusto Vieira e que não é servidor público, mas prestava "apoio informal" em investigações de furto de gado. Ele guardava em casa a placa original, o documento do carro e um cartão de abastecimento da polícia. A caminhonete ficou um mês estacionada nos fundos do quintal da casa dele.
A bomba maior: Francisco Gomes Vilhena é pai de Francisco Jardel da Silva Vilhena, o “Jardelzinho”, apontado pelas forças de segurança como uma das principais lideranças do Comando Vermelho no Amapá.
Jardelzinho é investigado por tráfico de drogas, tráfico de armas, roubos e organização criminosa, está foragido na Rocinha (RJ) e é apontado como articulador da maior apreensão de armamento da história do Amapá: 11 fuzis AK-47, 3 espingardas e 70kg de crack.
Diante da gravidade, o caso foi enviado à Corregedoria da Polícia Civil e ao TJAP, que apura crimes de receptação e adulteração de sinal identificador de veículo.
Procurado, o secretário disse que não está mais com o bem. Ele justificou que Vilhena é mecânico e, “como se tratava de veículo apreendido judicialmente, não era possível, pelo contrato de manutenção da instituição”.
Perguntado sobre sua relação com Vilhena, o secretário respondeu: “Prestador de serviços”.
Cézar Augusto confirmou que o veículo era usado para “serviços de investigação e operações policiais”.
O secretário disse que a investigação “ao final irá esclarecer a verdade dos fatos” e alega perseguição política da oposição em razão dos “ótimos resultados de sua gestão”.
“A situação toda do veículo S-10, originou-se justamente em narrativa com o objetivo de atingir a segurança pública do estado, uma vez que o adversário político opositor da atual gestão não consegue atacar o trabalho dos operadores da segurança pública. Os dados consolidados falam por si só”, afirmou em nota à coluna.
Sobre a relação familiar do mecânico com faccionados, o secretário disse que “soube recentemente” e que Vilhena perdeu o contato com os filhos há 12 anos. “Soube recentemente quando tentava entender o motivo de terem criado a narrativa toda envolvendo o veículo. Inclusive indaguei ao Sr. Francisco sobre isso e ele respondeu que perdeu o contato com os filhos há, aproximadamente, 12 anos, não sabendo o paradeiro deles”, esclareceu.
Fonte original: Coluna Andreza Matais - Metrópoles - https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/acidente-revela-uso-de-carro-apreendido-e-leva-secretario-do-amapa-a-investigacao