"A SITUAÇÃO PERMANECE". Foi com essa frase que a página Amapá Católico denunciou neste fim de semana que a Capela da Fortaleza de São José de Macapá, um dos espaços sacros mais antigos e simbólicos do estado, continua descaracterizada, mesmo após promessa de restauração da secretária de Estado da Cultura, Clícia Vieira.
Mais de dois meses se passaram desde a intervenção que transformou a Capela em um espaço "multi-uso", e nada mudou no local.
Segundo a denúncia, que viralizou no Instagram: "O altar foi reposicionado e escondido à primeira vista, como se tivesse perdido sua importância, cedendo lugar a uma estética de sala de estar."
"Mesmo sendo réplicas, essas peças não perdem seu valor: o sentido de um espaço sacro está na função e disposição que o tornam capaz de significar o culto religioso que presta. Retirá-las é eliminar justamente o que faz da Capela uma Capela."
A crítica é dura: embora não tenha havido alteração da estrutura física ou do mobiliário histórico, o local foi descaracterizado em sua função e significado. Para especialistas em patrimônio, a preservação de um bem tombado vai além da materialidade - abrange também seu uso e significância cultural.
"Uma intervenção que esvazia o sentido original de um espaço sacro contraria o propósito da própria preservação, ainda que formalmente autorizada."
O que mais revolta os fiéis é que a Secretaria da Cultura do Amapá (Secult) prometeu, em vídeo de retratação, que o mobiliário passaria por restauração e que o espaço voltaria ao seu sentido original.
Até hoje, nenhuma mudança concreta. O altar segue acessível ao público, sem qualquer isolamento - o mínimo esperado mesmo em intervenções autorizadas.
"Cabe à Secretaria, responsável direta por essa intervenção, explicar por que optou por descaracterizar o sentido original do espaço, e apresentar com transparência o cronograma de restauração prometido."
A Fortaleza de São José de Macapá é patrimônio tombado pelo IPHAN desde 1950. A Capela dentro da fortaleza sempre foi dedicada ao culto católico e é símbolo da fundação da cidade. Transformá-la em sala de estar multiuso foi visto pela comunidade católica como um desrespeito à fé e à história.
A Secult ainda não apresentou novo cronograma.