A Operação Cavalo de Tróia, deflagrada nesta quinta-feira, 15, pela Polícia Civil com apoio do GAECO, não só afastou o vereador Daniel Theodoro (PSOL).
Um dos principais alvos afastados das funções na Câmara Municipal de Macapá (CMM) é a servidora Kelly Cristina Pereira Pacheco. Ela foi afastada cautelarmente do cargo por suspeita de envolvimento no esquema que loteava vagas da Câmara para integrantes da facção Família Terror do Amapá (FTA) em troca de apoio político.
Mas Kelly não é novata em esquemas dentro da Câmara. Ela é a mesma servidora que participou da fraude do protocolo para tentar tornar inelegível o então prefeito Dr. Furlan (PSD).
Em março de 2026, logo após o afastamento de Dr. Furlan da Prefeitura de Macapá um grupo ligado ao Palácio do Setentrião e à presidência da Câmara tentou montar um dossiê para barrar a candidatura de Furlan ao Governo do Estado.
A manobra consistia em protocolar na Câmara um documento com datas retroativas alteradas, tentando criar uma falsa linha do tempo de reprovação de contas e condenação que tornaria Furlan inelegível pela Lei da Ficha Limpa.
Quem fez o protocolo? Kelly Cristina, que trabalhava justamente no setor de protocolo e arquivo da Câmara, subordinada à presidência de Pedro DaLua.
O Ministério Público desconfiou da adulteração, identificou rasuras e divergência no sistema eletrônico de protocolo - o documento físico tinha uma data, mas o registro digital tinha outra, posterior. A manobra foi confirmada por laudos da Politec e do MP/AP.
Agora, Kelly cai novamente, mas desta vez por envolvimento com facção criminosa. Segundo a Polícia Civil, ela seria uma das responsáveis por "liberar e maquiar a entrada de indicados da FTA na folha de cargos comissionados da Câmara", com salários de até R$ 4 mil por vaga fantasma.
Ao todo, a Operação Cavalo de Tróia cumpriu nove mandados de busca e apreensão, recolheu celulares e computadores em gabinetes, e afastou também o vereador Daniel Theodoro (PSOL), vice-presidente eleito na chapa de Pedro DaLua.
O elo entre os dois casos - a fraude eleitoral contra Furlan e o loteamento para facção - mostra, segundo investigadores, que o mesmo núcleo que operava perseguições políticas dentro da Câmara era o que operava o balcão de cargos para o crime organizado.
A defesa de Kelly ainda não se manifestou.