No Amapá, a eleição do dia 04 de outubro de 2026 deu o recado mais claro dos últimos 30 anos: o povo cansou do velho grupo.
Liderado pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil), o grupo sofreu um revés histórico nas urnas, com a vitória esmagadora do governador eleito Dr. Furlan (PSD), com 62,75% dos votos.
Sem palanque e sem voto no Amapá, o que restou ao grupo foi uma única estratégia: apostar tudo na reeleição do presidente Lula (PT) em 2026 para garantir a sobrevivência política.
O governador Clécio Luís (União Brasil), que no primeiro turno ficou neutro na disputa nacional para tentar não melindrar o eleitor de direita, agora, no segundo turno, declarou apoio total a Lula.
Nos bastidores do Palácio do Setentrião, aliados de Clécio não escondem: a declaração de apoio não é ideológica, é por cargo. Clécio pretende pleitear, através de Davi, um ministério no governo Lula. Sem mandato a partir de janeiro de 2027, ele precisa de um cargo federal para não desaparecer.
Foi Clécio quem levou a maior derrota. Mesmo com a máquina do governo do Estado,15 prefeituras, presidência do Senado, 21 deputados estaduais e 06 federais, não conseguiu ir para o segundo turno e ainda viu Dr. Furlan fazer mais de 65% dos votos em Macapá, onde o próprio Clécio foi prefeito duas vezes.
Outro nome do grupo é o senador Randolfe Rodrigues (PT). Randolfe perdeu a reeleição para o Senado de forma humilhante. Disputava a segunda vaga e ficou em terceiro.
A mais votada foi Rayssa Furlan (Podemos), esposa de Dr. Furlan, com votação histórica. O segundo foi o senador Lucas Barreto (PSD). Ambos estavam no palanque de Dr. Furlan.
Derrotado pelo voto do amapaense, Randolfe, que até então era líder do governo no Congresso, agora depende de Lula. Aliados do petista afirmam que Randolfe tem o desejo de ocupar um ministério num eventual quarto mandato de Lula em 2027 para não ficar desempregado. É a tentativa de trocar o mandato que o povo não deu por um cargo indicado.
Waldez Góes (PDT), atual ministro da Integração Nacional, também tem o mesmo desejo: continuar no ministério. Por isso, tem levado o nome de Lula no Amapá no segundo turno, tentando mostrar serviço ao Planalto. Se Lula perder, Waldez perde o ministério e volta para o Amapá sem cargo e sem mandato.
Já Davi Alcolumbre, o chefe do grupo, vive seu momento mais delicado. Davi foi descartado pelo PL e pelo candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).
Sem espaço na chapa da direita, Davi também busca através de Lula garantir sua reeleição. Ele sabe que em 2030, sem a presidência do Congresso e sem o apoio da máquina federal, será impossível se reeleger senador no Amapá contra o grupo de Dr. Furlan.
Derrotados pelo povo do Amapá em 04 de outubro, Davi, Clécio, Randolfe e Waldez agora tentam, em Brasília, o que o povo do Amapá negou nas urnas: a sobrevivência política.